Outra vez

                            Por Leilton Lima


Sim.  Tive o coração em frangalhos.
Mas não enaltecerei essa angústia em minha poesia.
Acaso não resta a semente
mesmo quando a fruta se esbagaça?
De que me vale a dor fratura-exposta
alimentando a piedade alheia?

Não. Minhas  lágrimas serão minhas apenas
Que me lavem...
Que me levem os fragmentos de sonhos vencidos,
limpando o lugar que será ocupado
por outros sonhos ávidos à nascer.

Que venham então!
Que risquem na minha alma
outra vez as cores ilusórias do amor
Eu prefiro assim.
Não me serve aprisionar o peito
em armadura de dor.

Esquece minhas lágrimas.
Presta atenção nos meus passos.
Estou outra vez no caminho.

22-07-09



Escrito por Leilton Lima às 23h02
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 Silêncio 

 

                               Por Leilton Lima

 

O que tenho a lhe dizer é silêncio. 

Mudez de quem se extasia diante do mar.

Música silenciosa que

canta dentro da gente

e nos embala e acaricia

em meio ao tráfego. 

O que tenho a lhe falar são

mãos de vento soprando

a pele aberta a arrepios.

 

Por que em mim soa apenas o barulho

que o sonho faz quando é sonhado. 

Apenas a melodia do abrir e fechar

das asas da borboleta

e o canto da pintura de prata

que a lua derrama sobre a água do lago. 

 

O mundo já não grita

apenas reverencia essa canção

de amor que meu coração cantarola baixinho

enquanto se desenha em minha alma

seu rosto a sorrir pra mim. 

  

29 de abril de 2008



Escrito por Leilton Lima às 15h51
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    Máscaras

Por Leilton Lima

Nós, sem as máscaras, estamos nus.
É de fragilidade e medo essa nudez.
Então vistamos logo nossas roupas
esterilizadas de encanto.
Desfilemos com elas pelas ruas estéreis.

Nosso sonho não mais poderá nos fazer mal.
Só nos é permitida a dor conhecida.
Só está ao nosso alcance a dor antiga,
agora reformulada.
Pintada sobre sorrisos ocres.

Quem cometeria a suprema estupidez
de acreditar ter a força para entender
a substância da agonia das poesias incompletas?
Quem, além de mim?

Sou quixotesco. 
Os moinhos de ventos
são verdadeiramente gigantes.



Escrito por Leilton Lima às 23h32
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Solúvel em sorrisos

                                        Por:  Leilton Lima

Eu não te amo.
Pelo menos não ao ponto
de dormir ao relento, na tua calçada,
arrebentado de vinho e de dor.

Não.
Não me passa a idéia de arrancar
do teu peito esse amor ancestral
que conduz teus olhos para uma leve tristeza,
que por ser tua, se torna linda.

Apenas sonho com momentos em
que possamos romper juntos
as teias envelhecidas
de sentimentos fragilizados.
Que venha o salto, o vôo, o mergulho.

Inventemos nós um novo sabor de beijo.
Oficializemos a teoria da irresponsabilidade cálida,
nos permitindo, nos deixando, nos querendo bem.
Seremos um problema solúvel em sorrisos
a ser bebido em horas clandestinas.



Escrito por Leilton Lima às 23h02
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