Soneto do despertar Por Leilton Lima
E o tempo dentro de mim estacionou Folha caída vagando nas correntezas Voltei ao ventre que me moldou Perdi no vento minhas certezas
Da suavidade desse abandono Acordei olhando para o teu sorriso Escorreguei para a vida, saí do sono Realidade incerta, sonho preciso
No meu colo desperto, brotou em flor Tua cor morena, o meu rubor Em um toque mudo tudo foi dito
E assim nasceu de uma poesia Do sabor de um beijo e da fantasia De dentro da vida, esse amor infinito
Escrito por Leilton Lima às 23h17
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Essência
Por Leilton Lima Ontem, não eras mais que uma linda gota de chuva acendendo de luz o espinho da rosa. Impossível te tocar sem interferir. Impossível te tocar sem nos ferir. Eu ficava então a vigiar, aguardando o sol te transformar em cheiro para te aspirar e sentir-te dentro de mim. E eu saía por aí exalando tua essência enfeitando de ti todo o cinza ao meu redor. E a rua onde eu moro ficou mais linda e atraiu passarinhos e borboletas.
E era só.
Mas hoje amanheceu, riscada no céu, a emoção contida numa lágrima de amor impossível chorada no tempo dos druidas.
E tudo mudou.
Tu já não és mais etérea. És meu sonho a ofegar em minhas mãos Já não és apenas a fonte de minha poesia. És beija-flor que achou néctar em minha boca ressequida. E tua essência não mais se espalha ao vento. Agora habita minha alma em turbilhão Crescendo, crescendo, crescendo… E eu já não sei mais o que fazer contigo tão grande assim dentro de mim.
Escrito por Leilton Lima às 23h03
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Caminho da luz
Por Leilton Lima
Conheço o fundo desse poço. Por vezes fui seu hóspede insone. Tateei sem ânimo a sua escuridão. Senti na alma sua umidade sombria.
Apoiei nos ombros os companheiros de desventura. Passei lá o tempo exato do meu medo, da minha covardia.
Mas esse tempo é por nós determinado. Saí ajudado, rasgado. Coração repleto de cicatrizes. Mas saí. Havia em mim a certeza de jamais voltar. Mas voltei.
Lá reencontrei os antigos companheiros de dor. Eles atrasados na busca, eu reincidente em quedas Mas já sabia o caminho da luz.
Eis-me aqui outra vez repleto de sonhos. O fundo do poço perdeu o poder de me assustar.
Escrito por Leilton Lima às 22h53
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O SORRISO DO ESPELHO
Por Leilton Lima
Tenho escrito para mim, falado para mim, olhado para mim. Tarefa extenuante, o salto nesse portal de incertezas e ocultos. Quantas vezes o corpo não tremeu? Quantas vezes não verteu suor frio na face?
Vi-me explorando essa escuridão, sob a agressividade do silêncio. Sozinho, pois uma simples companhia afeta a realidade dos achados.
Nas mãos trêmulas, brilha a luz débil de uma candeia inconstante Que, por vezes, se apaga quando eu mais preciso e me obriga a voltar a reacendê-la. E ao fazê-lo preciso ser zeloso até com as lágrimas, por que lágrimas apagam chamas débeis.
E eu sigo explorando essa escuridão, sob a segurança da determinação. Sozinho, pois qualquer outro olhar distorce o insondável.
Assim, celebro vitórias. Vendas são desvendadas. Véus caem rasgados amaciando a rudeza do chão sob meus pés. Belos eus começam a rasgar as paredes da prisão e aspiram o cheiro que vem do mar.
É a candeia que mais se acende, ou eu que começo a ver melhor? Ainda não sei. Só sei que sou viajante do meu próprio oculto. Explorador de minhas próprias forças. Desbravador do meu próprio caminho. Juiz da minha própria sentença.
Muitos poetas encontram poesia em seu próprio sofrimento. Eu, ao contrário, busco no sorriso do espelho a poesia e sigo escrevendo, por que é preciso, a poesia de viver.
Recife, 18 de novembro de 2007
Escrito por Leilton Lima às 22h44
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O guardião das orquídeas Por Leilton Lima Ontem, choveu e eu me embebedei junto a terra E assisti as xananas espiando para fora do verde E seriguelas se lavando para se dar aos pássaros E o torrão ressequido chupar as gotas até mudar de cor.
Hoje, o horizonte não me trouxe sinais. A não ser sua própria presença. A tela aberta pronta para receber pintura de nuvens. Então, abri o embornal das lembranças e tirei de lá a alegria de saber que não é necessário ver as nuvens para se ter certeza das águas.
Sou o guardião das orquídeas, que pedem um ano para entregar sua flor. Sou o semeador das jabuticabeiras, que sequer prometem frutos a quem as semeia.
Sou artesão de sublimidades, as quais crio com trançados de raros detalhes sazonais.
Por isso, não estranhe o meu sorriso nem meu olhar que se volta para o futuro até se misturar com o azul do horizonte. Estou aguardando as próximas gotas, encantado com a própria espera.
07-07-09
Escrito por Leilton Lima às 23h31
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