SERVIÇO PÚBLICO

Vem aí o homem de uma nota só


Leilton Lima*

O Governo Rosalba resolveu jogar pesado na audiência pública que vai tratar da Lei de Responsabilidade Fiscal.  O Estado vai bancar a vinda ao Rio Grande do Norte do ex-secretário de assuntos econômicos do Governo Collor, Raul Velloso — assim mesmo com dois “eles” igualzinho ao seu patrão presidente.

Velloso é conhecido como “o homem de uma nota só”.  Ele é especialista em falar sempre a mesma coisa quando o assunto é “Gastos Públicos”.  Para ele, cortar despesas é igual a cortar investimentos sociais.  Trata-se da já caduca teoria do Estado Mínimo, cuja prática causou quebradeira geral em vários países inclusive no Brasil das eras Sarney/Itamar/Collor/FHC.

Um dos métodos de convencimento adotado por Velloso é nosso velho conhecido: esconder-se atrás da Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF), para tentar convencer a sociedade de que os investimentos em serviço público é coisa do mal.  Os servidores?  Merecem mesmo ver o Governo somente pelas costas.  Nada de reajuste, nada de cumprimento de Lei de Planos.  Nada de nada.  Afinal, a Governadora pode ser punida se infringir a famosa LRF.

O problema é que a LRF não é um monstro tão feio assim.  O governante pode sim, atuar com bom senso em favor do serviço público sem correr os riscos que eles querem fazer crer.   A Lei prevê punições ao chefe do Executivo somente em casos extremos. Até hoje no Brasil ocorreram apenas aplicações de multas que não ultrapassaram R$ 20 mil.  E olha que foram para casos de descumprimento das medidas de transparência ou de gastos de 70% da receita sem nenhuma medida de recuperação.

A correção da inflação aos salários dos servidores é prevista na Constituição e pode ser concedida mesmo que ultrapasse os limites da lei, sem punições ao gestor público.  Quer mais? Gastos com pessoal para  aumentos de salários, além dos 54% permitidos por lei, podem ser recuperados no prazo de oito meses, sem punições. Ou seja, a Governadora não vai por o pescoço na forca se atender as reivindicações agora.  Basta usar o prazo dado pela Lei para adequar as contas do Estado à nova realidade.

Se a Lei não proíbe e a arrecadação do Estado bate recordes a cada mês, então para onde vai esse rio de dinheiro?  Ao que parece, estamos assistindo ao velho filme no qual a verba que deveria ser usada, por Lei, para corrigir o salário dos servidores é direcionada para patrocinar as grandes obras visíveis aos olhos eleitorais e saciadoras da sede inesgotável de lucro dos patrocinadores das campanhas eleitorais.

 

*Leilton Lima é jornalista



Escrito por Leilton Lima às 17h17
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ELEIÇOES 2010

Heróis e fujões

Pedro Bial

O Hino Nacional diz em alto e bom tom (ou som, como preferir) que “um filho seu não foge à luta”. Tanto Serra como Dilma eram militantes estudantis, em 1964, quando os militares, teimosos e arrogantes, resolveram dar o mais besta dos golpes militares da desgraçada história brasileira.

Com alguns tanques nas ruas, muitas lideranças, covardes, medrosas e incapazes de compreender o momento histórico brasileiro, “colocaram o rabinho entre as pernas” e foram para o Chile, França, Canadá, Holanda. Viveram o status de exilado político durante
longos 16 anos, em plena mordomia, inclusive com polpudos salários. Foi nas belas praias do Chile, que José Serra conheceu a sua esposa, Mônica Allende Serra, chilena.


Outras lideranças não fugiram da luta e obedeceram ao que está escrito em nosso Hino Nacional. Verdadeiros heróis, que pagaram com suas próprias vidas, sofreram
prisões e torturas infindáveis, realizaram lutas corajosas para que, hoje,
possamos viver em democracia plena, votar livremente, ter liberdade de imprensa.


Nesse grupo está Dilma Rousseff. Uma lutadora, fiel guerreira da solidariedade e da democracia. Foi presa e torturada. Não matou ninguém, ao contrário do que informa vários e-mails clandestinos que circulam Brasil afora.Não sou partidário nem filiado a partido político. Mas sou eleitor. Somente por estes fatos, José Serra fujão, e Dilma Rousseff guerreira, já me bastam para definir o voto na eleição presidencial de 2010. Detesto fujões, detesto covardes!


Pedro Bial, jornalista.



Escrito por Leilton Lima às 11h17
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Eleições 2010 e os aproveitadores da boa fé e da credulidade evangélica


Rev. Sandro Amadeu Cerveira (02/10/10)

Talvez eu tenha falhado como pastor nestas eleições. Digo isso porque estou com a impressão de ter feito pouco para desconstruir ou no pelo
menos problematizar a onda de boataria e os posicionamentos “ungidos” de alguns caciques evangélicos. [1]

Talvez o mais grotesco tenham sido os emails e “vídeos” afirmando que votar em Dilma e no PT seria o mesmo que apoiar uma conspiração que mataria Dilma (por meios sobrenaturais) assim que fosse eleita e logo a seguir implantaria no Brasil uma ditadura comunista-luciferiana
pelas mãos do filho de Michel Temer. Em outras o próprio Temer seria o satanista mor. Confesso que não respondi publicamente esse tipo de
mensagem por acreditar que tamanha absurdo seria rejeitada pelo bom senso de meus irmãos evangélicos. Para além da “viagem” do conteúdo a absoluta falta de fontes e provas para estas “notícias” deveria ter levado (acreditei) as pessoas de boa fé a pelo menos desconfiar destas graves acusações infundadas. [2]

A candidata Marina Silva, uma evangélica da Assembléia de Deus, até onde se sabe sem qualquer mancha em sua biografia, também não saiu
ilesa. Várias denominações evangélicas antes fervorosas defensoras de um “candidato evangélico” a presidência da república simplesmente ignoraram esta assembleiana de longa data.

Como se não bastasse, Marina foi também acusada pelo pastor Silas Malafaia de ser “dissimulada”, “pior do que o ímpio” e defender, (segundo ele), um plebiscito sobre o aborto. Surpreende como um líder da inteligência de Malafaia declare seu apoio a Marina em um dia, mude de voto três dias depois e à apenas 6 dias das eleições desconheça as proposições de sua irmã na fé.

De fato Marina Silva afirmou (desde cedo na campanha, diga-se de passagem) que “casos de alta complexidade cultural, moral, social e espiritual como esses, (aborto e maconha) deveriam ser debatidos pela sociedade na forma de plebiscito” [3], mas de fato não disse que uma vez eleita ela convocaria esse plebiscito.

O mais surpreendentemente, porém foi o absoluto silêncio quanto ao candidato José Serra. O candidato tucano foi curiosamente poupado.
Somente a campanha adversária lembrou que foi ele, Serra a trazer o aborto para dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) [4]. Enquanto
ministro da saúde o candidato do PSDB assinou em 1998 a norma técnica do SUS ordenando regras para fazer abortos previstos em lei, até o 5º
mês de gravidez [5]. Fiquei intrigado que nenhum colega pastor absolutamente contra o aborto tenha se dignado a me avisar desta
“barbaridade”.

Também foi de estranhar que nenhum pastor preocupado com a legalização das drogas tenha disparado uma enxurrada de-mails alertando os evangélicos de que o presidente de honra do PSDB, e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso defenda a descriminalização da posse de maconha para o consumo pessoal [6].

Por fim nem Malafaia, nem os boateiros de plantão tiveram interesse em dar visibilidade a noticia veiculada pelo jornal a Folha de São Paulo (Edição eletrônica de 21/06/10) nos alertando para o fato de que “O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira ser a favor da união civil e da adoção de crianças por casais homossexuais.” [7]

Depois de tudo isso é razoável desconfiar que o problema não esteja realmente na posição que os candidatos tenham sobre o aborto, união civil e adoção de crianças por homossexuais ou ainda a descriminalização da maconha. Se o problema fosse realmente o comprometimento dos candidatos e seus partidos com as questões acima os líderes evangélicos que abominam estas propostas não teriam alternativa.

A única postura coerente seria então pregar o voto nulo, branco ou ainda a ausência justificada. Se tivessem realmente a coragem que aparentam em suas bravatas televisivas deveriam convocar um boicote às eleições. Um gigantesco protesto a-partidário denunciando o fato de que nenhum dos candidatos com chances de ser eleitos tenha realmen te se comprometido de forma clara e inequívoca com os valores evangélicos. Fazer uma denuncia seletiva de quem esta comprometido com a “iniqüidade” é, no mínimo, desonesto.

Falar mal de candidato A e beneficiar B por tabela (sendo que B está igualmente comprometido com os mesmo “problemas”) é muito fácil.Difícil é se arriscar num ato conseqüente de desobediência civil como fez Luther King quando entendeu que as leis de seu país eram iníquas.

Termino dizendo que não deixarei de votar nestas eleições.

Não o farei por ter alguma esperança de que o Estado brasileiro transforme nossos costumes e percepções morais em lei criminalizando o que consideramos pecado. Aliás tenho verdadeiro pavor de abrir esse precedente.

Não o farei porque acredite que a pessoa em quem votarei seja católica, cristã ou evangélica e isso vá “abençoar” o Brasil. Sei, como lembrou o apóstolo Paulo, que se agisse assim teria de sair do mundo.

Votarei consciente de que os temas aqui mencionados (união civil de pessoas do mesmo sexo, descriminalização do aborto, descriminalização de algumas drogas entre outras polêmicas) não serão resolvidos pelo presidente ou presidenta da república. Como qualquer pessoa informada sobre o tema, sei que assuntos assim devem ser discutidos pela sociedade civil, pelo legislativo e eventualmente pelo judiciário (como foi o caso da lei de biossegurança) [8] com serenidade e
racionalidade.

Votarei na pessoa que acredito representa o melhor projeto político para o Brasil levando em conta outras questões (aparentemente esquecidas pelos lideres evangélicos presentes na mídia) tais como distribuição de renda, justiça social, direitos humanos, tratamento digno para os profissionais da educação, entre outros temas. (Ver Mateus 25: 31-46) Estas questões até podem não interessar aos líderes evangélicos e cristãos em geral que já ascenderam à classe média alta, mas certamente tem toda a relevância para nossos irmãos mais pobres.

______________________

NOTAS

[1] As afirmações que faço ao longo deste texto estão baseadas em informações públicas e amplamente divulgadas pelos meios de comunicação. Apresento os links dos jornais e documentos utilizados para verificação.

[2] http://www.hospitaldalma.com/2010/07/o-cristao-verdadeiro-nao-deve-votar-na.html

[3] http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/marina+rebate+declaracoes+de+pastor+evangelico+silas+malafaia/n1237789584105.html
Ver também http://www1.folha.uol.com.br/poder/805644-lider-evangelico-ataca-marina-e-anuncia-apoio-a-serra.shtml

[4] http://blogdadilma.blog.br/2010/09/serra-e-o-unico-candidato-que-ja-assinou-ordens-para-fazer-abortos-quando-ministro-da-saude-2.html

[5] http://www.cfemea.org.br/pdf/normatecnicams.pdf

[6] http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=856843&tit=FHC-e-intelectuais-pedem-legalizacao-da-maconha

[7] http://www1.folha.uol.com.br/poder/754484-serra-se-diz-a-favor-da-uniao-civil-e-da-adocao-de-criancas-por-gays.shtml

[8] http://www.eclesia.com.br/revistadet1.asp?cod_artigos=206

Fonte: Segunda Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte (www.segundaigreja.org.br)

Francisco Gilberto
8899-1313 / 9913-0304



Escrito por Leilton Lima às 11h05
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Escrito por Leilton Lima às 09h27
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Apneia
                       Por Leilton Lima

Pelo e-mail me chegam notícias ruins,
Doem-me os ossos a dor da febre.
Dia difícil para ouvir música de vento e folhas.
Lamentar é inútil.
Prendo o fôlego e mergulho.
Vou catar sorrisos ocultos,
bem dentro de mim.

                                    13-05-2010



Escrito por Leilton Lima às 17h25
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Vale a pena assistir e refletir

 



Escrito por Leilton Lima às 18h28
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Vá com Deus

Eram oito horas da manhã de um sábado de maio. Chico levantara-se apressado. Dormira demais. Trabalhara muito na véspera, psicografando uma obra erudita de Emmanuel.
Não esperara a charrete. Fora mesmo a pé para o escritório da Fazenda.
Não andava, voava, tão velozmente caminhava.
Ao passar defronte à casa de D. Alice, esta o chama:
- Chico, estou esperando-o desde as seis horas. Desejo-lhe uma explicação.
- Estou muito atrasado, D. Alice. Logo na hora do almoço lhe atenderei.
D. Alice fica triste e olha o irmão, que retomara os passos ligeiros a caminho do serviço.
Um pouco adiante, Emmanuel lhe diz:
- Volte, Chico, atende à irmã Alice. Gastará apenas cinco minutos, que não irão prejudica-lo.
Chico volta e atende.
- Sabia que você voltava, conheço seu coração.
E pede-lhe explicação como tomar determinado remédio homeopático que o caroável Dr. Bezerra de Menezes lhe receitara, por intermédio do abnegado Médium.
Atendida, toda se alegra. E despedindo-se:
- Obrigada, Chico. Deus lhe pague! Vá com Deus!
Chico parte apressado. Quer recobrar os minutos perdidos.
Quando andara uns cem metros, Emmanuel, sempre amoroso, lhe pede:
- Pare um pouco e olhe para trás e veja o que está saindo dos lábios de D.
Alice e caminhando para você.
Chico para e olha: uma massa branca de fluídos luminosos sai da boca da irmã atendida e encaminha-se para ele e entra-lhe no corpo...
- Viu, Chico, o resultado que obtemos quando somos serviçais, quando
possibilitamos a alegria cristã aos nossos irmãos?
E concluiu:
- Imagine se, ao invés de VÁ COM DEUS, dissesse, magoada, "vá com o
diabo". Dos seus lábios estariam saindo coisas diferentes, como cinzas, ciscos, algo pior...
E Chico, andando agora naturalmente, sem receio de perder o dia, sorri satisfeito com a lição recebida. Entendendo em tudo e por tudo o SERVIÇO DO SENHOR, refletindo nos menores gestos, com os nomes de Gentileza, Tolerância, Afabilidade, Doçura, Amor.

Extraído do livro "Lindos Casos de Chico Xavier" de Ramiro Gama



Escrito por Leilton Lima às 17h32
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Ser perfeito é ser do bem

"Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos Céus." Mat. 5:48


O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga sua consciência sobre seus próprios atos,pergunta se não violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desperdiçou voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, pergunta, enfim, se fez aos outros tudo o que desejava que os outros fizessem por ele.

Tem fé em Deus, em sua bondade, em sua justiça, e em sua sabedoria; sabe que nada acontece sem a sua permissão, e submete-se à sua vontade em todas as coisas.

Tem fé no futuro; por isso coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

Ele sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem se lamentar.

O homem de bem, inspirado pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperança de retorno; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sempre sacrifica o seu interesse pela justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas alegrias que proporciona, nas lágrimas que faz estancar, nas consolações que proporciona aos aflitos. Seu primeiro ímpeto é pensar nos outros, antes de pensar em si, é buscar o interesse dos outros antes do seu próprio. O egoísta, ao contrário, calcula as vantagens e as perdas de toda ação generosa.

O homem de bem é humano, é bom e benevolente para todo mundo, sem distinção de raças nem de crenças, porque vê irmãos em todos os homens.

Respeita todas as convicções sinceras nos outros, e não amaldiçoa aqueles que não pensam como ele.

Em todas as circunstâncias a caridade é o seu guia; reconhece que aquele que prejudica o seu semelhante com palavras maldosas, que fere a suscetibilidade de pessoas com o seu orgulho ou o seu desdém, que não desiste diante da idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, mesmo leve, quando poderia evitá-la, falta ao dever do amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.

Não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, ele perdoa e esquece as ofensas, e só se lembra dos benefícios, porquanto sabe que será perdoado, assim como ele mesmo houver perdoado.

É indulgente para com as fraquezas dos outros, porque sabe que também necessita de indulgência, e se recorda destas palavras do Cristo: "Que aquele que está sem pecado lhe atire a primeira pedra".

Não sente prazer em procurar os defeitos dos outros, nem em colocá-los em evidência. Se a necessidade a isso o obriga, procura sempre o bem que pode atenuar o mal.
Estuda as suas próprias imperfeições, e trabalha incessantemente para combatê-las. Todos os seus esforços são empregados para que amanhã possa dizer que existe nele algo melhor do que na véspera.

Não procura fazer valer nem seu espírito, nem seus talentos a custa de outros; ao contrário, aproveita todas as oportunidades para fazer sobressair as qualidades dos outros.

Não se envaidece da sua fortuna, nem das suas vantagens pessoais, porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.

Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que se trata de um depósito do qual terá que prestar contas; sabe também que o emprego que lhes pode dar, mais prejudicial para si mesmo, é o de utilizá-los para a satisfação das suas paixões.

Se a ordem social colocou pessoas sob a sua dependência, ele as trata com bondade e benevolência, porquanto, perante Deus, são iguais a ele. Usa a sua autoridade para lhes levantar o moral, e não para esmagá-los com o seu orgulho, e evita tudo o que poderia tornar sua posição subalterna mais penosa ainda.

A pessoa subordinada, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem escrúpulos em não cumpri-los conscienciosamente. (Ver cap. XVII, item 9.)

O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que as leis da Natureza lhes concede, como desejaria que os seus fossem respeitados.

O que acabamos de expor não é a enumeração completa de todas as qualidades que distinguem o homem de bem, mas todo aquele que se esforça para possuir as que aqui foram citadas, está no caminho que conduz a todas as outras.

Allan Kardec em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo XVII, item 3



Escrito por Leilton Lima às 09h52
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Capitalismo e machismo por trás da defesa do aborto

      Antes de você terminar de ler este parágrafo, mais uma criança foi abortada em algum lugar do mundo. A cada oito minutos um ser humano perde a vida antes mesmo de nascer.  E a defesa do aborto se amplia a cada dia.  Um dos argumentos é o suposto direito da mulher sobre o seu corpo. 

     No passado, os donos das fábricas se davam o direito de matar os trabalhadores desobedientes ou incômodos.  O argumento era simples: a fábrica era deles.  Por lhe possuir, tudo que estava dentro lhe pertencia e estava à mercê da sua escolha.  Uma escolha, por vezes de vida ou morte.

     Hoje, a ideia de que temos o direito de vida e morte sobre o que está sob o nosso jugo persiste nos argumentos dos que são a favor do aborto.  Sem se darem conta, repetem os mesmo argumentos dos capitalistas.  Contudo, o incômodo a ser extirpado não é mais um trabalhador subversivo. É um feto.  E não é uma fábrica a sua estrutura de poder absoluto e sim seu próprio corpo.  “Quero ter o direito de escolha sobre o meu corpo” não é muito diferente de “Quero ter o direito de escolha sobre a minha fábrica”.

        Mas a luta em defesa da legalização do aborto não é só capitalista é também machista.  Joga sobre o corpo e a alma da mulher o peso esmagador da decisão de matar o ser que se abriga em seu corpo para vir ao mundo. Para efeito de análise, deixemos de lado os argumentos das Igrejas. Também não vamos apontar o dedo para aqueles e aquelas irresponsáveis que não refletem sobre a consequência dos seus atos e querem a solução, para eles, mais fácil.  Não.  Falemos de mulheres que, mesmo coerentes, responsáveis, de repente se veem na condição de uma gravidez indesejada. 

   Acompanhei de perto o drama de pelo menos duas delas.  Amigas queridas que, abandonadas por seus homens, viam no aborto a única saída para o seu drama.  Nenhuma era a favor do aborto.  Estavam esfaceladas por dentro.  A ideia de matar aquele ser que se desenvolvia em seu útero ampliava em proporções gigantescas a dor que sentiam.  Era a ausência de amparo que as empurrava para aquela decisão.

      Enquanto sua alma era fustigada pela dor apenas por estar cogitando algo contra seus princípios, seu outrora companheiro se escondia na covardia.  Alguns, no máximo se mostram dispostos a dar um ridículo suporte alimentar ao futuro filho.  No máximo, vivem a inquietação de estar envolvido naquele “incômodo”. Pela defesa superficial e simplista do aborto, restaria à mulher juntar ao peso massacrante do desespero, o horror de ter que abortar.

    O sofrimento dessas mulheres me mostrou que, com ou sem legalização, o aborto vai sempre ser um estupro de dentro pra fora.  Uma fratura que sangra a alma justamente dessa mulher que os defensores do aborto dizem defender.  Sobretudo, se ela for alguém que já ampliou sua consciência para perceber que somos seres espirituais e não apenas matéria.  E não estou falando aqui de religião A ou B. Afinal, as religiões são, muitas vezes, co-responsáveis por essa carga que esmaga a mulher contra as lâminas sempre afiadas do jugo social.

    Também não defendo cadeia para a mulher que aborta.  Aliás, a ideia de se privar da liberdade todo aquele que comete um ato ilícito é obviamente absurda.  Vide as verdadeiras escolas de crime que são as prisões no mundo todo. A mulher que quer abortar precisa de ajuda.  E rápido.  A mulher que abortou também.  Mas isso não tira dela a sua cota de responsabilidade. Trabalho social em instituições de auxílio à criança ou qualquer medida sócio-educativa me parece uma pena mais adequada ao contexto. Aliás, no geral a mulher que aborta está mais  está mais próxima do adolescente infrator do que do bandido que merece cadeia.

    Mas qualquer que seja a punição não pode ser aplicada apenas para a mulher. Ambos, parceiro e parceira, precisam ser responsabilizados em igual medida.  Se o Estado não tiver condições de fazer isso, que abdique do direito de punir.  Criminalizar apenas uma parte é profundamente injusto.  Afinal, não existe vida sem a participação do espermatozoide no óvulo.  Portanto, não é justo que alguém sozinho arque com todas as consequências de um ato cuja responsabilidade tem origem em duas pessoas.

      Legalizar o aborto não é a solução.  Menos ainda defender isso com base no conceito de propriedade privada do corpo.  Está na hora de o movimento feminista abrir os olhos do espírito e da lógica e fazer a luta mais difícil: chamar o homem à responsabilidade dos seus atos, sem pregar a morte de fetos imaginando que se está defendendo as mulheres.



Escrito por Leilton Lima às 19h37
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FOTO GRAFIA

                                      Por Leilton Lima

Abre tua janela, amada.
Ao menos a fresta que forma a réstia
e permite enfim um brilho dourado
a desenhar em feixes de luz
tuas curvas trigueiras.
Deixa que aconteçam as sombras,
mistérios na tela, portais insondáveis
abertos tão somente
à imaginação e ao sonho.

Mas vem...
Vem que te vejo molhada de luz,
que saboreio a carícia que a luz faz
escorregando nas formas do teu corpo.
Detalhes que se acendem e apagam
à luz da dança suave
de cada movimento teu.
Vem que este teu poeta aprendeu hoje
a escrever poesia com a essência deste lume
que ofusca e encanta ao tocar em ti.



Escrito por Leilton Lima às 09h51
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On Line
Por Leilton Lima

Você chega à distância.
Menos palpável que a réstia de luz
que se atreve pela fresta.
Não tenho o toque, o cheiro, o calor...
Mas estás aqui.

Chegas até mim em palavras
que viajaram através de uma estrada de fios,
impulsionada por componentes
eletrônicos alheios à poesia.

É bom quando você chega
na tela branca de luz.
Mexe comigo.
Um reboliço leve no coração.
Sopro de vento num canto de floresta
suave, mas presente...

Chegas até mim em estática fotografia,
pintura moderna que congela seu sorriso
e eu juro inocente que é para mim,
só para mim, esse sorriso de lábios
feitos artesanalmente por Deus
para o meu beijo.



Escrito por Leilton Lima às 22h43
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 CARTA DO AVIADOR


                                     Por Leilton Lima

Escrevo agora sob a sombra do baobá do poeta
por que em meu planeta Natal
os baobás são bem-vindos.
Você me fez ver, outra vez,
carneiros através das caixas.
Você me fez redescobrir
a imensidão de uma única flor.

Mas, como a raposa,
você fugiu de mim
todas as vezes que me mexi.
Diga a distância que lhe parece segura,
que eu lhe provarei que não sou caçador.
Combinemos a hora da sua chegada
por que também eu começarei
a ficar feliz uma hora antes.

Já conheço o barulho dos seus passos.
Já amo os canteiros livres de xananas
por que neles encontro o seu sorriso.

Mas temo lhe falar, por que a linguagem
é fonte de mal entendidos.
Espero na relva até poder lhe cativar
para que você seja a única xanana
em meio as cinco mil outras
Que enfeitam meu passeio.


23.05.08



Escrito por Leilton Lima às 01h29
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Jardineiro

            Por Leilton Lima


Não me cai bem o manto escarlate
e a espada reluzente.
Não me vejo herói decepando inimigos.

Não encontro orgulho em fazer escorrer
pela minha lâmina, o sangue de dragões .

Jamais serei teu príncipe encantado.
Antes, me encanto com as flores.
Posso ser, se quiseres,
teu jardineiro encantado.

11.04.2009



Escrito por Leilton Lima às 01h26
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Idealização

                      Por Leilton Lima

Eu tenho uma idéia de você...
Acredito em você assim
perfeita para mim.
Apequeno seus defeitos.
Agiganto suas virtudes.

Como prestar atenção
à sua confissão de falhas,
se ao fazê-la, os gestos de sua mão
geram desenhos de aroma no ar,
rabiscando de vapor lilás e azul
o espaço vazio no meio da sala?

Ah, você pode abrigar minha idéia sim!
Ela cabe em você,
como cabe no cachepot
a orquídea florida.
Ninguém lhe nota os vazios.
Ninguém lhe percebe a mudez.
Estão todos entretidos de cor e de forma
Como estou eu agora...



Escrito por Leilton Lima às 18h26
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Rústico
                           Leilton Lima

Não há disfarces
na carícia das minhas mãos calejadas
sobre tua pele de nuvem.
É uma verdade rude,  esses dedos trêmulos
que tocam teu rosto seda de moça bonita.

Meu coração matuto
não sabe meias-paixões, meios-amores.
Não conhece atalhos para os sonhos, como tu.
Só sabe ser assim sempre.


Então não estranhes
esse amor inlapidado que te quer. 
Que te exige toda, como se tivesse esse direito.


Ele é pedra preciosa, ainda tosca,
vivendo no aconchego da terra.
É pássaro do lago florido,
Que não acha graça na piscina.
É flor do mato de beleza agreste.
Aberta.
Indefesa diante dos teus labirintos
e subterfúgios e subterrâneos.



Escrito por Leilton Lima às 09h19
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